sábado, 25 de agosto de 2007

O Milagre da Vida

Comecei no hospital...em medicina interna onde me aborreco imenso...por isso sabendo da existencia duma clinica nas proximidades fomos (eu e a Chiara) la passar a noite. Nessa noite (quarta-feira) nasceram 4 bebes. Os meus primeiros bebes. O meu primeiro bebe. Foi impressionante...nao desejo a ninguem ter um bebe...o acto em si...parir...

Mas depois dos gritos, depois das contraccoes, depois de empurrar, depois de passar a cabeca e o resto...depois de tudo isto...o momento exacto em que entra ar nos pulmoes daquela coisa pequenina, cheia de sangue e pegajosa...esse momento em que se da o milagre da vida...e duma extrema beleza. E nao esquecerei nunca este primeiro bebe e o segundo em que o ar entrou nos pulmoes dela.

Os seguintes foram menos impressionantes mas ainda assim, cada parto e um parto, cada mae e uma mae...

De todas as formas, agradeco enormemente nao ter que parir aqui...as maes estao deitadas numa zona e chegado o momento vao pelo seu prorio pe para a sala de partos...quando sai o bebe e depois a placenta, levantam-se e voltam pelo seu proprio pe para a cama de onde vieram. Para juntar a isto cada mae tem que trazer um balde, um frasco de desinfectante, uns 4 panos, os pensos higienicos, a vaselina, e tudituditudi...aquilo que nao trazem com elas e-lhes cobrado no momento...nao sei o que acontece se nao trazem dinheiro...
E tudo sem uma palavra de parte das enfermeiras/parideiras...talvez o unico que e dito a estas maes e shim, shim, shim (push, push, push).

Nao sei como e um parto na europa, nunca vi nenhum, mas espero e desejo que seja diferente...com mais compaixao...logo verei.

domingo, 19 de agosto de 2007

The Volta Region


Ok. O pânico passou...agora já não vou morrer, nem ser esfolada viva. Gosto.

O fim de semana foi muito interessante. Aprendi coisas cruciais para a minha sobrevivência por aqui. Aprendi por exemplo que os taxistas pedem sempre o dobro daquilo que vale a viagem e que é necessário regatear. Aprendi que o tempo realmente não importa...aquilo que parece perto pode não o ser, o que parece fácil pode demorar uma eternidade...

Fui para a região do Volta, que vem a ser o maior lago artificial do mundo...foi construido há cerca de 40 anos por uma empresa americana que curiosamente tem direito a 2/3 da energia produzida...o país não tinha os meios económicos necessarios para a construção e foi explorado (como muitos)...parece que este direito acabará em não muito tempo. A barragem, em Akobongo, fornece energia a quase todo o país, ao Togo e ao Benim.

A viagem comecou em Accra com 3 suiças que já cá estão há umas semanas...já sabem os truques quase todos e foi, para mim, como um curso de sobrevivencia.
De Korle bu apanhámos um taxi em direccão a Tema Station (que é uma estação de tro-tros). Esse taxi, aparentemente só tinha capacidade para 3 pessoas e eramos 4 de modo que quando passámos pela polícia tivemos que sair do carro e tentar apanhar outro. Conseguimos e lá chegámos a Tema Station que não era bem aquela onde deviamos ir...andamos um pouco e finalmente compramos o bilhete Hohoe. Os tro-tros não saem enquanto não estiverem cheios, o que é inteligente, mas pode implicar esperar duas horas...

Finalmente saímos de Accra e em cada sitio onde paravamos uma avalanche de gente rodeava o tro-tro com comida, água e mais alguma coisa para vender. Numa destas paragens, contra todos os conselhos dados pelos médicos em espanha e também contra o bom senso, comprei uns mechilhões. Tentei comer um mas não consegui...sabia a qualquer coisa que me ia deixar doente...assim que prudentemente devolvi-os a procedencia.

Seguimos caminho e de chegada a Hohoe conseguimos arranjar um taxi que por 140 000 cedis (14 euros) nos levou à pousada para deixar as coisas e depois as Wli waterfalls...

As Wli waterfalls caem da montanha que separa o Ghana do Togo. São duas, a lower e a upper...como chegámos tarde só pudemos ir a lower...depois de 40 minutos através de floresta tropical (lindo!!!). A lower tem 50 metros de altura e a upper não faço ideia. Ao lado das falls as paredes da montanha estão repletas de morcegos que comem fruta e abandonam a montanha pontualmente às 6 de tarde...às 6 e 15 o céu é uma nuvem negra...

O guia arranjou-nos cacau fresco...quando se abre tem sementes e uma especie de polpa branca que se chupa e que e muitíssimo bom...

Voltámos, jantámos e dormimos. No dia seguinte, fomos pequeno-almoçar panquecas com o melhor doce de manga do mundo e depois saimos em direcção a Atome onde há um Monkey Santuary...pagamos um balurdio, que parece ser normal, e fomos levadas a ver uns macaquinhos durante uns 15 minutos. Outra vez passeio pela floresta tropical. É de remarcar que há imensas borboletas por aqui e que é mesmo bonito vê-las voar pelo meio da selva.

Depois dos macacos seguimos viagem em direcção ao sul. Parámos para dormir em Atimbuko, onde o lago volta a ser rio. A paisagem e esplendida e na primera oportunidade penduro uma fotografia. Foi muito bom. O rio, a ponte, o verde, o jantar, a companhia, a cerveja...

No dia seguinte fomos ver a barragem...com direito a engenheiro e tudo para nos guiar. Pelos vistos a casa de férias do presidente é nas proximidades e estava previsto vir nesse dia...não o apanhámos por pouco :)
Estamos na estação das chuvas mas não tem chuvido muito de maneira que só têm duas das seis turbinas a funcionar...coisa que explica os ocasionais cortes de energia em Accra. Por motivos de seguranca nacional ??? não é permitido fotografar a zona da barragem onde se faz a distribuição da energia...o engenheiro não soube explicar porquê e parecia saber da existência de satelites...

Depois voltamos a Accra, alguns 100 km em duas horas e meia (e o tempo africano).

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Desde Africa


Desde África tenho a dizer que o mundo novo acabou de se abrir diante de mim. Nas 24 horas que já passei aqui sinto que quando chegar ao fim me terei apaixonado pela homeland, pelo berço da humanidade.

Não trouxe rede mosquiteira e terei que comprar uma, acho que ainda não me picou nenhum mosquito. Estou no Students Hostel da Korle Bu Teaching Hospital e hoje andei sozinha nas ruas de Accra. Parece que toda a gente tem qualquer coisa para vender. Também andei de tro-tro que é uma especie de transporte público e também a maneira mais barata de viajar. Trata-se de carrinhas, a maioria a cair de podre, mas não todas (que já as vi novas) que vão de um sítio a outro sem nada que o indique do lado de fora...foi o caos total para encontrar o tro-tro para aqui.

A certa altura não podia respirar e fui refugiar-me num hotel com piscina que encontrei no caminho. Estive lá 10 minutos e pensei no irreal que era aquela piscina no meio do pó da rua, das pessoas a vender...de todo aquele movimento...

Também ganhei 3 ou 4 números de telefone...não pude evitar recebê-los, ficar com eles...de momento não tenho um telefone por isso pude ser sincera...

Sou tão obviamente branca...tão diferente...e possivelmente tão igual...mas o branco que nem é assim tão branco salta à vista...obrunii.

Aprendi um par de coisas em Twi (a língua Ashanti, que é a tribo maoritária), aprendi obibinii que quer dizer preto, aprendi dabi que quer dizer não...conheci gente...

Amanhã talvez vá à Região do Volta (o grande lago artificial) logo se verá...

Estou contente e assustada, é o mundo novo, é o primeiro dia em África.